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Orquídea

por Bete Brito

Categorias: Artigos

17/04/2008 às 21:49

Orquídea
As orquídeas pertencem à ordem Asparagales, à família Orchidaceae. Alguns autores definem como a maior de todas as familias botânicas, com números de espécies estimados entre 25000 e 40000. Mas um consenso geral é de que se trata da maior família botânica dentre asmonocotiledôneas. Esses imponentes números desconsideram a enorme quantidade de híbridos e variedades produzidos por orquidicultores todos os anos. A quantidade de gêneros conhecidos também é surpreendente, superando a marca dos 700.

A família Orchidaceae subdivide-se em 5 subfamílias (números estimados de gêneros e espécies pelo Phylogeny Group):

  • Apostasioideae - 2 gêneros e 16 espécies do Sudeste Asiatico;
  • Cypripedioideae - 5 gêneros e 130 espécies das regiões temperadas do mundo, poucas na America Tropical;
  • Vanilloideae - 15 gêneros e 180 espécies na faixa tropical e subtropical úmida do globo, e leste dos Estados Unidos;
  • Orchidoideae- 208 gêneros e 3630 espécies distribuídas em todo mundo, exceto nos desertos mais secos, no círculo Artico e na Antartida;
  • Epidendroideae - mais de 500 gêneros e cerca de 20000 espécies distribuídas sobre as mesmas regiões de Orchidoidea, embora hajam algumas espécies subterrâneas no deserto australiano.

As espécies de orquídeas são um desafio para os teóricos em Biologia, no que diz respeito ao próprio conceito de especie. Há muitas orquídeas, com características marcantemente próprias e diferentes de outras “espécies” que, quando postas em contato com estas outras, podem efetuar cruzamentos e produzir híbridos férteis. Estes híbridos ainda podem ser cruzados com outras espécies, e produzir novas gerações de híbridos férteis. Há híbridos entre espécies, e até mesmo entre gêneros. Há híbridos obtidos através do cruzamento de várias gerações de híbridos de 4 ou mais gêneros distintos. Este fenômeno é um dos trunfos dos orquidicultores, que podem “misturar” suas espécies e obter uma combinação quase infinita de novas formas e cores, mas também pode ocorrer naturalmente. É possível que várias “espécies” classificadas pelos botânicos sejam, na verdade, híbridos naturais há muito estabelecidos na natureza.

Esta confusão certamente influencia nas flutuações do número de espécies de Orchidaceae mencionados acima, uma vez que não há sequer um consenso do que seria exatamente uma espécie de orquídea.

Hábito

De maneira geral as orquídeas compartilham características exclusivas marcantes. São normalmente ervas epifitas, terrestres, litofitas, psamofitas, saprofitas ou raramente aquáticas, freqüentemente rizomatosas , com raízes robustas cobertas por um tecido esponjoso chamado velame.

Folhas

As folhas apresentam morfologia variada, mas são quase sempre alternas e dísticas. O caule pode muitas vezes se apresentar comprimido verticalmente e espessado, e é a isso que chamam pseudobulbo.

Flores

As inflorencias podem ter de uma a centenas de flores, de acordo com a espécie, e podem ser apicais, laterais ou basais.

As flores são normalmente de simetria bilateral, com 3 sepalas e 3petalas (denominadas tepalas), das quais a dorsal, diferenciada, a que chamam labelo, é expandida, ou apresenta calos, ou possui padrões de cor diferentes.

Os órgãos reprodutivos ( androceu e gineceu) encontram-se reduzidos e fundidos em uma estrutura central chamada coluna , ginostênio ou androstilo. O numero de estames varia entre as subfamílias: a apostasioidea possui três; a cypripedioidea dois, com o estame central modificado; as demais apresentam apenas o estame central funcional, com os dois outros atrofiados ou ausentes. Os grãos de pólem encontram-se agrupados em massas cerosas chamadas polínea. O estigma é normalmente uma cavidade na coluna, onde as polínias são inseridas pelo polinizador. O ovário é ínfero, tricarpelar e possui até cerca de 1 milhão de óvulos.

Fruto

O fruto é uma cápsula, que se abre quando seca para liberar sementes minúsculas e leves, cujo embrião não passa de um aglomerado de células. As espécies de Vanilla são as únicas com frutos carnosos e sementes grandes, os quais são usados para a obtenção de baunilha.

Cultivo

Por sua beleza única, as orquídeas são extensivamente cultivadas, e seu comércio movimenta fortunas todos os anos de maneira crescente. Mas como são tantas espécies diferentes de ambientes diferentes, é impossível apresentar os cuidados básicos de cultivo para todas elas de maneira geral. Assim, o primeiro passo para cultivar uma orquídea com sucesso é a identificação correta da espécie em questão. Ter contato com outros orquidófilos mais experientes pode ser útil caso surja uma planta desconhecida que se queira cultivar. Desta forma pode-se decidir com precisão a iluminação, o regime de regas, o substrato, e outros fatores necessários para o êxito no cultivo.

Uma coisa é certa, as orquídeas de maneira geral não são plantas delicadas e frágeis como alguns acreditam. Pelo contrário, estas plantas (principalmente as providas de pseudobulbo) são extremamente resistentes, e podem sobreviver durante dias fora de um substrato. Sua capacidade de sobrevivência lhes permite que tenham tempo para adaptar sua fisiologia a novas condições após o replantio. Os híbridos, por sua vez, são de maneira geral extremamente resistentes, e podem prosperar mesmo em condições adversas de cultivo, crescendo mais rápido que as espécies ditas “naturais”.

Produção

As orquídeas podem ser produzidas em larga escala graças à resistência de suas mudas na maioria das espécies, à quantidade de sementes produzidas em cada fruto, e à possibilidade de reprodução de meristemas in vitro.

O método mais simples de reprodução é a divisão do rizoma. Toma-se uma planta adulta com pelo menos 6 pseudobulbos formados, de preferência logo após o término da floração, e, com uma faca afiada e esterilizada, corta-se o rizoma, de maneira a separar a planta em duas mudas com 3 pseudobulbos cada. Em casos de plantas maiores, deve-se sempre manter as mudas com o mínimo de 3 ou 4 pseudobulbos para permitir seu rebrotamento. O plantio deve ser feito no substrato adequado à espécie. A muda deve ficar fixa de alguma forma para que as novas raízes possam brotar e se fixar no substrato. Só quando as raízes estiverem restabelecidas as plantas voltarão a crescer.

As sementes são diminutas, e um único fruto pode gerar milhares de novas plantas, cada uma com uma característica diferente da outra. Mas as sementes são muito pequenas, e não conseguem germinar por recursos próprios. Elas precisam das condições de acidez e da disponibilidade de nutrientes que o fungo micorriza de uma planta adulta fornece. Assim, o modo mais simples (e menos eficiente) de reprodução por sementes é simplesmente espalhá-las sobre e ao redor das raízes de orquídeas adultas, assegurando-se de que tenham umidade constante.

O método mais eficiente consiste no preparo de um substrato de musgo Sphagnum. Este deve ser esterilizado e deixado em repouso em um recipiente fechado para manter sua umidade. Deve-se também adicionar pedaços saudáveis de raízes de uma orquídea adulta, de preferência da espécie que deseja-se reproduzir, para que o fungo possa se reproduzir no próprio Sphagnum. Após alguns dias de descanso, semeia-se as sementes, e conserva-se o sistema em um recipiente transparente. As sementes germinam em algumas semanas, e crescem muito devagar, de modo que uma planta só floresce pela primeira vez com entre 5 e 10 anos de idade.

A reprodução por meristema, ou clonagem, é mais eficiente, e consiste na retirada da ponta das raízes. Colocada em meio de cultura, e sob a influência de hormonios vegetais, o meristema transforma-se numa massa de tecido indiferenciado, capaz de dar origem a novas plântulas. As plântulas são destacadas e cultivadas em tubos de ensaio independentes, e em pouco mais de 1 ano, estão prontas para o cultivo em local definitivo. As mudas produzidas são, logicamente clones perfeitos da planta original, sendo este método o mais aplicado para a reprodução em massa de uma determinada variedade.

Muita LUZ!

Poesia

Orquídea

Dá-me uma orquídea e verá meu riso.

Quisera ter na vida a beleza rústica de uma orquídea.

Quisera ter na vida, a paciência que emana de sua força para florir.

Dá-me uma orquídea…

Descubra-me através dela.

Mira-me nos olhos e sinta o brilho indescritível

de todas as orquídeas.

Beije-me nos lábios e saboreie o gosto agridoce que vem da mata,

brotando da madeira bruta,

recolhendo no decorrer dos dias, os pingos de chuva,

após uma seca interminável.

Dá-me uma orquídea.

Dance comigo a valsa da vida,

ultrapasse os limites, corra os riscos.

Enlace meu corpo com cipós e troncos,

entrega-te a magia de ir mais além,

Aprenda o poder de alcançar os sonhos.

Dá-me uma orquídea…

Desvenda minha alma,

Ama-me como mereço.

Só assim,

Conhecerás o valor de estarmos aqui.

(Marly Londero)


Orquídea

Orquídea amarela

Orquídea feliz

2 Comentários Adicionar comentário

  • 1. alisson  |  06 de maio de 2008 às 10:19 am

    adorei.. até porque eu tenho várias orquídeas em casa..
    e em nome de muitas pessoas como eu, agradeço muito a vocês.. Obrigado.. muito lindo..

  • 2. Noêmia Lemes  |  19 de julho de 2008 às 1:21 pm

    maravilhosa a “POESIA”

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